domingo, 6 de janeiro de 2008

im memorian



LUCAS MÜLLER SCHMIDT
Lester
1986 - 2007

Saudades

dos colegas, amigos, e todos que sentirão conosco essa falta, uma singela amostra do que vai ficar pra sempre na nossa memória.

Música: Wish You Were Here - Pink Floyd

Texto: Hoje não! - Lucas Müller Schmidt (Lester)

Hoje não!

Nos últimos quatro meses de minha vida tenho estudado e gostado muito do assunto Pós-Modernidade. Em encontros semanais discutimos diversos aspectos do movimento que querendo ou não é o vigente. Se até ontem me perguntassem o que achava do movimento pós-moderno diria que tem inúmeros problemas, mas que de maneira geral condiz cada vez mais com a idéia de liberdade e "felicidade" das pessoas. Hoje sei que não.
Foram discutidos termos e fatos como Cultura de consumo, Espectros, Simulacros, Sociedade do espetáculo, da imagem, da auto-afirmação. Chegamos ao ponto de debatermos sobre aura. Talvez eu tenha finalmente encontrado a razão de ser sempre aquele que se opunha ao movimento, trazendo sempre o contra. Até então achava que era "birra" minha, vontade der "ser do contra" ou de apresentar um outro lado. Hoje sei que não.
Falamos, falamos da vida das pessoas, do comportamento delas, e esquecemos a coisa mais importante. Corrigindo, não esquecemos, a sociedade esqueceu. E é por esse esquecimento que afirmo que odeio o pós-modernismo, odeio viver nessa época, não sei se gostaria que voltassem os anos 70, mas gostaria que esse aspecto que foi esquecido ou pelo menos introvertido voltasse à tona. Mas hoje eu sei que não.
Uma vez eu escrevi e como tudo o que escrevo jamais publiquei, mas lembro que escrevi que a única coisa que podia fazer com que as pessoas se levantassem para fazer a vida era o amor, afirmava que a única força que tínhamos para lutar contra esse sistema autocrático e destruidor era o amor, ele era a única coisa que jamais poderiam tirar de nós. Eu estava enganado, ele conseguiu, ele tirou. E o único "sim" que posso escrever aqui é esse, hoje sim.
Digo agora que infelizmente concordo com a postura do Baudrillard quando ele diz que não tem mais futuro, que a sociedade está condenada. Ele já havia percebido isso, acho que só teve medo de dizer de maneira direta. Pois falar de amor em tempos pós-modernos é ir contra o que todos "pensam", é ser infantil, sonhador, e outros adjetivos que desmerecem o pensamento de qualquer um. Eu como não tenho nome nem postura alguma e serão tão poucos aqueles que vão ler, provavelmente nenhum, posso dizer. A sociedade está condenada, não por ameaças extraterrestres ou por acasos da natureza, mas esta condenada pelo sistema, está condenada por ela mesma. Vida? Hoje não.
Só não saberia qual "pílula" escolheria, a vermelha ou a azul. Não saberia dizer se gostaria de "voltar ao sistema" ou "continuar por fora" vendo as pessoas se destruindo e me destruindo junto. Insisto nas aspas para que não pensem que estou fora, vivo nele, já me vendi uma vez, tentei ser mais um, não consegui, incompetência minha. Mas o que não posso é continuar aqui vendo que estou finalmente sem propósitos e que não adianta eu buscar e correr atrás minha vida inteira que eu não vou encontrar motivo para tal. É uma pena afirmar que o amor já não existe mais, pelo menos hoje não.
O que farei daqui pra frente? Com essa postura emergencista, talvez exagerada, talvez até infame. Não sei. Vou descansar com meu cigarro, tomar um mate, encolher-me naquilo que me sustenta. Mas cansei de buscar e parei, parei completamente de correr atrás. Vou poupar esforços não sei ainda para que, mas um dia eu vou descobrir, descobrir um novo propósito para continuar aqui falando esse monte de bobagem, mas hoje não!

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