sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
O mundo é como você é
Hoje acordei com vontade de escrever.
Logo pensei num monte de coisas, tive vontade de falar sobre mim, sobre meu mundo, sobre as coisas minhas.
Depois pensei "talvez o que tu escreva nem deva ser tão bom assim", "talvez seja muito ruim inclusive", "deve ser como essa literatura chinfrim que há por ai", "pior, pode estar cheio de erros de português, afinal tu só sabe escrever direito com a ajuda do Word", enfim e por essa linha fui me censurando.
Depois parei um pouco e refleti. Me falta leitura, isso é fato. Todo bom projeto está bem embasado. Mas embasamento e leitura muitos tem e por mais que escrevam também não são considerados "bons" por todos.
Não se trata de auto-indulgência, mas de constatar que vontade e criatividade são os motores que me impulsionam, e que se eu não começar, não me atrever a dar as primeiras tecladas, não me permitir esse exercício, talvez eu nunca alcance o que busco.
Não pretendo ser escritor, longe disso, e mesmo com treino até penso que talvez eu sempre seja ruim. Mas o que me importa ao final de tudo isso é alimentar a rede com informações evitando juízos e propagando minhas idéias.
Afinal de contas, como saberão o que penso se eu não expressar?
Acordei pela manhã, abri os olhos e fiquei ali, curtindo, feliz. Porque naquele momento eu era o mais abastado dentre os que tem lençóis furados e confortáveis.
Fiquei parado, olhei ao meu redor sem me mexer muito, e parei os olhos na lua que brilha no escuro e que colei no teto sobre minha cama para que me lembre todos os dias do meu destino.
Comecei a lembrar do sonho que tive, um tanto curioso, em tecnicolor, porque meus sonhos são coloridos hehehe.
E quanto mais eu lembrava, mais e mais coisas foram surgindo, como um exercício de descoberta infinito. Um sonho fractal.
Estava eu parado em frente a uma foto minha, de corpo inteiro. Toquei a imagem e percebi que era como um tipo de passagem. Fui entrando, meio que sem pedir licença. Seria curioso pedir licença a si mesmo? Creio que não. E até penso que seria o mais adequado. Mas não sou dado a formalidades e fui entrando.
Dentro da gente é estranho. É muito curioso como nos vemos pra fora de nossos olhos e nunca olhamos pra dentro.
Sabe o que é estranho? É igual ao que vemos pra fora.
O diferencial é que pra dentro as cores e formas ficam mais acentuadas. Como um quadro de Dali. É nesse momento que vocês me contestam, porque acabei de dizer que é igual ao que vemos pra fora. Mas alguém além do próprio Dali viu o mundo pelos olhos dele? Mesmo através dos quadros temos uma idéia, uma imagem interpretada, a visão do que ele fez por nossos próprios olhos.
Bom, conforme fui entrando fui percebendo que era como um olhar as avessas. É difícil explicar porque os sonhos são cheios de significado, é como uma mente libertada a caminhar por um mundo novo e cheio de descobertas. E era exatamente o que eu estava fazendo.
Iniciei dentro da minha casa. Não era exatamente a minha, mas uma mistura de diversos ambientes com os quais estou ou já estive familiarizado. O mesmo se passou aos móveis e objetos.
É como se meu apartamento, a casa de meus pais, a casa onde vivi minha infância, as casas onde estive por pouco tempo e nas quais vivi experiências diversas, a casa onde transei pela primeira vez, enfim, todas elas eram em uma só.
O curiosos é que me pareceu como uma imagem da minha memória. Era como acessar a tudo que está guardado em minha cabeça através de uma interface gráfica tridimensional mutante criada por mim.
Foi interessante explorar esse lugar. Porque foi como passar a limpo todas as minhas experiências, com um olhar novo sobre elas. Rever velhas coisas do passado foi bom, até mesmo os cantos obscuros e empoeirados. Percebi que por mais que eu ignorasse a existência de certas coisas elas não deixariam de existir. Sempre haverá o momento no qual algo, alguém ou alguma coisa me lembrará do que tem no sótão.
A memória é algo curioso, não pode ser apagada. “Ahhhh, mas e a perda de memória?”. E essa também não é temporária? “Ahhhhh, mas eu esqueci o número do telefone daquele amigo que faz tempo que não nos vemos!”. Bom, daí tu tem que procurar na tua memória uma forma de entrar em contato com ele, deve ter não? Porque isso também é curioso a respeito da memória, só guardando o que realmente é importante, o que tem a ver com sentimentos. Números não causam sensações de sentimentos, salvo casos patológicos ou de misticismo.
Bom, a casa estava um pouco escura e mal cuidada. Como se o morador, no caso eu, estivesse de férias a algum tempo. Jornais e correio se acumulavam na porta principal, o gramado precisava de manutenção, e o jardim então! Nossa, estava péssimo. As flores morreram por falta d’água e as ervas daninhas estavam tão grandes que alcançavam a altura das janelas. Mas o dia estava ensolarado. Era como um dia de primavera, frio pela manhã, calor ao meio dia, frio pela noite.
Dei uma olhada ao meu redor e percebi outras casas, cada uma com um aspecto distinto. Era uma grande vizinhança onde moravam todas as pessoas com as quais já tive contato. Sabe o que era curioso? As casas estavam sobre nuvens que se movimentavam de acordo com a intensidade do contato e do sentimento que eu tenho com o morador. Os que mais gosto estavam mais próximos. Os desafetos estavam longe, mas não deixava de velos, embora com dificuldade.
Acordei.
Foi inevitável não lembrar Lenine.
http://www.4shared.com/file/65133818/42374a05/Lenine_-_Olho_de_Peixe_-_MP3_by_c.html
Marcadores:
dia-a-dia,
filosofia de boteco,
literatura e musica
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário