Bom, o que aconteceu na semana passada?
Passei praticamente a semana toda no PC cadastrando currículos em sites de estágio e emprego que são "de grátis", não rolou!
Nos sites gratuitos existe muita vaga para programador visual, web designer e coisas do tipo. Para desenhista industrial muito pouco e só para quem já está formado. Em compensação, se eu tivesse que trabalhar seja no que for, ou mesmo estagiar, chove de vagas! Pra todo tipo de trabalho. Em três dias o Regis começou a trabalhar! E realmente chove vaga, mas o estágio deve ser na área e isso me limita.
Me preocupei muito com isso porque afinal de contas tenho que estagiar a partir de março e o tempo aqui passa muito depressa. E é incrível! Parece que foi ontem que eu estava
Bom, pra ajudar nas preocupações, eu estava sem nota em Ética Geral e Profissional, o que tecnicamente me impedia de realizar matricula na disciplina de estágio obrigatório.
O professor estava incomunicável e foi um parto conseguir o contato telefônico dele. Minha irmã teve que ir até Santa Maria pessoalmente para que pudessem dar o número do telefone dele.
Bom, a semana foi passando e sábado pela tarde fui até Osasco encontrar com Alan, Dani e Douglas. Nos encontramos no Estátuas, um bar que toca rock e a ceva é barata.
O Douglas não esquentou muito a cadeira depois que eu cheguei, fechou a cara e logo foi embora. É a segunda vez que eu o encontro e ele não fez muita questão de ser simpático. A meu ver parece que ele tem uma imagem formada de mim que sabe-se lá de onde tirou e que ele não faz questão de pelo menos conversar comigo pra ter realmente uma idéia de quem é o Pi. Uma pena, porque ele, assim como qualquer um de nós, não tem poderes especiais que o façam olhar para uma pessoa e saber exatamente como ela é.
E outra, julgar tão severamente e de forma tão determinista e pessimista não me parece uma atitude sensata. Mas "cadum cadum". A única coisa que eu penso é que ele sendo um cara bonito e inteligente, poderia usar melhor essas qualidades, ser um pouco mais aberto e simpático, porque a final de contas todos vamos envelhecer e ficar só na velhice é horrível.
Bom, depois disso o Alan voltou para casa e eu fui com a Dani para o aniversário da Daia, irmã dela.
Fomos de carona, pois fica um pouco distante.
O Alan ficou de pedir pra mãe dele se ela o deixava ir ao aniversário.
As primas da Dani, que iriam depois, ficaram de ligar para a casa dele para oferecer carona, mas pelo que fiquei sabendo a mãe dele atendeu ao telefone e disse que ele estava dormindo.
Passamos no mercado, comprei um velho barreiro, limões e açúcar, para fazer uma caipirosca.
Chegando ao aniversário estava uma muvuca como sempre. O pessoal todo animado, pão com vinagrete, churras em ponto de sair, abraços, beijos, cerveja, carinho e alegria como sempre.
Todos, logo que me viam perguntavam pelo Alan. "Pi!? Cadê o Alan?", "Pi, o Alan não vem?", "E o Alan?".
Bom, deu pra ver que todos na casa da Dani gostam muito dele. E de mim também, porque embora nos conheçamos a pouco tempo, todos sempre são muito simpáticos e alegres comigo.
Eu também gostei muito deles, é bom ser bem recebido em uma cidade nova e desafiadora como Sampa.
Bom, a festa seguia, o Alan me ligou e disse que falou com o pai dele e que o pai dele disse: "Você tem 21 anos, pode ir se quiser.", mas como a mãe dele não deixou então ele ficou em casa, fez um mate e ficou vendo filme.
Eu segui bebendo, rindo, conversando, trocando experiências, falando sobre o sul, sobre o nosso churrasco, sobre cacetinho e salsichão e tudo isso que rola quando encontramos uma cultura distinta.
Bebi: cerveja, caipirinha, menta, absinto, velho barreiro com todo tipo de refri, e mais alguma coisa.
O churrasco paulista é rápido e gostoso. É diferente do nosso, é muito similar à forma como fazem churrasquinho de gato. São grelhados na verdade. Mas é muito gostoso.
Bom, depois de beber, comer e dançar muito funk, que tava divertidíssimo aliás, conversamos sobre sexualidade, foi muito interessante. Tudo com muito respeito, foi legal, eu adoro esse tema, pois é a oportunidade que temos de demonstrarmos que ser gay não é diferente de ser hetero, é apenas uma forma de carinho, de amor e de sexo, como todas as outras.
Aprendi isso conversando e esclarecendo para amigos e conhecidos como é ser gay, como é a descoberta, como é o relacionamento, como rola o preconceito dentro e fora de casa, como é contar para os pais, como é o relacionamento com os pais, e tudo mais.
Na verdade, quanto mais falarmos sobre as questões sociais e psicológicas que envolvem o homossexualismo, mais as pessoas vão se dar por conta que o amor é o mesmo, que o beijo é o mesmo, que o carinho é o mesmo e que o sexo tbem é o mesmo.
Afinal de contas, independente de como se faz na cama, sexo não é sentir prazer e proporcionar isso ao parceiro?
Também sofremos por paixão, também brigamos com o namorad@, também vamos conversar com os amigos quando estamos mal, quem tem coragem de se assumir perante a família e é aceito também pede conselhos para o pai, a mãe ou os irmãos, quem não tem sofre sozinho e incompreendido. E é assim, somos iguais a todos ou outros seres humanos, tão individuais e carentes como qualquer outra pessoa, mas também temos a força de levar a vida em frente, de enfrentar o preconceito, de impormos respeito e de pedirmos encarecidamente, nos tratem não como especiais, mas como iguais!
Somos tão humanos quanto um heterossexual, trabalhamos nos bancos, nas escolas, nos ônibus, nas academias, na roça, com o gado, pesquisamos, criamos remédios, tratamos da saúde, fazemos cirurgias, salvamos vidas, defendemos a vida, somos policiais, somos bandidos, somos traficantes, casamos, temos filhos, amamos, educamos, estamos por ai, pelo mundo todo, somos no mínimo 10% da população. E os outros, não pensem que são 90% heterossexuais, porque quando falamos de sexualidade, existem bem mais do que essas duas, acreditem, pesquisem e informem-se.
Bom, depois desse desabafo, acordei pela manhã, ressacadissimo, saímos da casa da Dani, eu, ela, sua mãe, padrasto e irmãzinha, e fomos para a casa do avô dela. Passamos na feira, comemos pastel, uma feira de rua, muito divertido. Sentei num banco no meio do asfalto, comi meu pastel e os carros passando, pessoas com carrinhos de compras, cachorros catando restos, crianças pedindo esmola, musica popular, tem de tudo.
Fui até a casa do vô da Dani, esperei o Alan, ele passou lá muito rapidamente, morrendo de vergonha que as pessoas nos vissem juntos, mal me cumprimentou, e já foi saindo, subindo a ladeira muito rapidamente, porque pelo que percebi não poderíamos ser vistos juntos por ali.
Eu respeito à decisão dele, afinal é família, compreendo e aceito porque amo.
Bom, passeamos a pé por Osasco, eu sem banho sem nada, porque me esqueci de levar minhas coisas, não sabia que iria ao aniversário. Almoçamos no largo de Osasco, em frente ao terminal, um PF de cinco pila num chinês, gostoso.
Pegamos o trem, integramos com o metrô, chegamos em casa, tomei banho, e ficamos um pouco por aqui, conversamos, trocamos um carinho, mas ele estava presente só em corpo, pois segundo o que me disse, estava comigo pensando na mãe dele. Não fiquei de cara, tentei conversar, tentei que ele se abrisse, mas não rolou, como ele diz: "falar não vai resolver", mas eu rebato "ficar incucado também não resolve nada".
Fomos até a catedral da penha. Estava na hora da missa. Sabe o que impressiona e arrepia? O eco e a reverberação do som, que produz uma melodia quase mística, hora como um lamento de um vale de lágrimas, hora como o som da voz dos coros angelicais. Lindo!
Durante essa semana vou assistir uma missa, sentar bem no fundo, fechar meus olhos, fazer a minha conversa com deus e curtir o som do céu. Vai ser bom pra mim.
Bom, cheguei em casa no domingo pela noite, depois de voltar da igreja, e o Ícaro tava mal, de ressaca, comi, conversamos, falamos sobre a vida noturna em sampa, de raves, de festas, de boates, dei um ormigrem pra ele e recomendei muita água... experiência compadre!
Bom, o Japa chegou muito fora da casa, tava bem divertido, rimos muito, rolou uma tulipa, uma marofinha, fotos no Orkut, riram muito de como eu mudo de visual, dos cabelos azuis e de tudo isso.
Fui deitar morgado, o Alan me ligou, combinamos de ir a Paranapiacaba no outro dia, pois como ele trabalha no Brasil mas para americanos, os feriados são os deles e ontem era dia de Martin Luther King.
Segunda-feira, acordei com o Alan me ligando, estava saindo de casa, levantei, fiz um corre para arrumar grana para pegar o metro, não sabia se tinha grana ou não no cartão que usamos aqui, bilhete único. Você carrega ele e só aproxima de um leitor, que desconta o valor da passagem e libera as catracas do transporte. Serve pra metrô e ônibus.
Bom, cheguei no Bras as 9:30, havia dito pro Alan que chegarias as 9:20, ele chegou as 9:00, então já sabe, cara feira, reclamação e silêncio.
Joguei tetris no celular até o fim da viajem, cada um na sua. Chegando lá começamos a conversar e foi indo tudo bem. Falamos sobre cinema, filmes europeus, atrizes, atores, etc... Descemos do trem, pegamos um bus e fomos até Paranapiacaba.
Cidadezinha na borda da serra, linda, inglesa, tem até cópia do Big Bem, ferrovias mil, estações, vagões abandonados, chalés pintados de vermelho e tudo mais.
Tomamos uma ceva, conversamos, almoçamos, tiramos fotos, falamos de música...
Saímos do almoço e fomos fazer uma trilha até uma cachoeira. A trilha é um pouco escorregadia, argila, mas bem suave. No outro lado do vale o trilho do trem que desce a serra até Cubatão na beira do mar, trilhos mais velhos pontes e túneis, além de torres de energia que também fazem parte da paisagem. No caminho encontramos uns meninos e um deles nos guiou até a cachoeira. Foi crucial, porque não encontraríamos já que a cachoeira fica numa trilha que deriva do caminho principal. Alias o caminho principal deve ter sido rota de mulas e de escravos entre a serra e o mar.
Curtimos a cachoeira, as crianças brincavam, nadavam, a água é incrivelmente limpa e muito gelada. Subimos novamente antes de escurecer, pois o caminho era escorregadio embora limpo, e eu estava com medo de uma chuva, pois o vale é em formato de V o que significa enxurrada e risco de morte. Já ouvi histórias sobre chuvas em cânions, não é legal.
Bem, voltamos, tomamos uma cerveja, comemos, a cerração começou a tomar conta de Paranapiacaba e me fez lembrar Caçapava do Sul. Pegamos o bus e depois o trem. Tiramos fotos do por do sol que estava lindo, fogo no céu.
Foi um dia espetacular!
Na estação do metro nos despedimos, Alan queria estar em casa antes da 21 horas e eu fui até o Tatuapé encontrar com a Dani e a Tami para tomar uma cerveja, conversar, curtir a rua, o calor, o movimento e as pessoas. É um desfile de pregos, punks, skins, gays, heteros, sapas e tudo que se imaginar. Como me pareceu "a flora e a fauna mescladas em todas as possibilidades que se possa imaginar". É bastante interessante.
Bebemos, voltamos para casa de metrô, a Dani dormiu aqui em casa, a Tami foi embora.
Eu fiz um arroz com galinha e suco de caju, conversamos, rimos, mas estávamos cansados, eu arrumei o quarto pra Dani dormir e me escorei pela sala mesmo. Capotei devido ao cansaço e a ceva.
Pela manhã acordamos, conversamos, tomamos café, fui com a Dani até o terminal de bus da Penha, nos despedimos, ela embarcou e eu voltei pra casa, revisei meus e-mails, Orkut, passei as fotos pro PC, to escrevendo pra vcs agora, vou almoçar e assistir ao vivo a posse do Obama pela TV.
Beijos a todos, saudades, Pi.
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